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Ganso sacanegeiro

Novembro 20, 2009

A arte do foie gras, aquele patê caro e chiliquento, consiste em enxovalhar comida no ganso até ele se arrebentar. Aí o figadão dele fica parecendo o meu, o seu, o nosso: um pudim.

A prática do enxovalhamento no ganso não é lá um espetáculo visual. Peão há de segurá-lo pelo pescoço, pegar a comida, xoxar na boca, e puxar para baixo, como se aplicasse leves golpes masturbatórios.

Pois é com essa imagem na cabeça – a do foie gras masturbatório – que a genialidade tomou conta do bróder tcheco que filmou um belíssimo filme, Trens Estreitamente Vigiados, título xarope pra obra-prima vencedora do Oscar de melhor estrangeiro em 1966.

Resumindo a sinopse, a película se passa durante a 2ª guerra, tem um moleque punheteiro que arrumou emprego numa estação de trem onde nada acontece. Exceto hormonalmente.

O gurizão de espinha na cara encontra uma namoradoca, tenta aplicar o golpe, mas o nervosismo não ajuda. Eis que ele recebe sábio conselho: “procure uma jovem mais velha pra te ensinar como faz”.

E niquique o bróder desponta no celeiro da velhinha, ela está aplicando movimentos masturbatórios no pescoço do ganso, praticamente indo às vias de facto para produzir o foie gras. E já sentindo a erucção ejaculatória, o garoto, que vinha pedir uma aulinha de sacanagem, vê a cena como um “agoravamonóis”.

Obviamente, a velhinha aplica o rechaçamento do menino, que lamentavelmente se apresentou pro jogo como cabeça de área sem domínio de bola. Mas ah, essa imagem abaixo, ele não esqueceu.

Oi, tudo bem?

A imaginação, enfim, consegue sacar erotismo do mais insólito material gastronômico. Pois a arte de fazer comida, sem sombra de dúvida, é puro tesão sacanageiro.

Vê aí o trailer do filme:

Destaque essencial para o momento (1min20) em que a fera começa a carimbar o popô de uma jovenzinha atrevida. Uma maravilha!

E quem falar que fazer foie gras é maldade com o bichinho, vá comer picanha.

Explosão gástrica

Abril 22, 2008

Caros deleitosos leitores,

estreamos o Engasgo com a resenha de um filmaço pra quem curte comida e sacanagem, os famigerados escapes de vida moderna. O carretel, porém, é velho. Foi lá nos idos de 1973 que franceses e italianos gravaram “A Comilança”. Película no mínimo polêmica. Confira e veja se vale os 10 contos da locadora.

E mais abaixo, no post anterior, tem a estréia da seção “Máximas gastronômicas”, com palavras chulas de ídolos mundiais sobre a arte da boa alimentação.

Degustem!

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Patê de ganso, suor e ouriço

Acontece que esse filme não é pra qualquer um. Sem querer limitar a audiência, longe de nós aqui do Engasgo, mas A Comilança (La Grande Bouffe, 1973, FRA/ITA, 123 min), de Marco Ferreri, é osso duro de roer. Afinal, não é em toda película que um morre sentado num caldo de cocô, enquanto outro enfarta ao mesmo tempo em que é masturbado e se entope de patê de ganso.

Porém, o filme é famoso, tal e coisa, e quem gosta de comida e seus desenvolvimentos precisa assistir. Dizemos o porquê: ora, a graça dessa obra-prima que mescla com louvores a escatologia e a culinária está no humor negro. Então encare por esse lado, pare de nove horas e se divirta com a historinha que se segue.

Quatro rapazes desinibidos de meia-idade deixam suas profissões e seus lares para engrenar numa orgia gastronômica até a morte. Hoje em dia, duas semanas de fast food resolviam, mas nos idos de 1973 eles apelaram para a haute cuisine 24 horas por dia, o que também causa seu frisson intestinal.

Não bastasse a zorra emérita na cozinha, um dos metidos na confraria, Marcello (Marcello Mastroianni, gênio da raça) decidiu chamar umas moças, dessas que pegam amizade fácil, para completar a fatura e chutar o balde de vez.

A coisa demora até o pega-pega pelado. Mas quando o oba-oba implode, dá-lhe garotas desnudas chapiscadas de mousse de chocolate. Mais em frente, dá-lhe popô nu sentando em bolo, deixando as famosas marquinhas, combinando o prazer da comida bem preparada com os demais prazeres carnais.

“Ah, a professorinha…”

O problema é que a rapaziada não pára de comer um minuto. E a morte se aproxima pra dar a foiçada. Claro, todo mundo sabe, uma hora o preparo físico despenca e as moças, em plena frustração, começam a debandar. Destaque para a única remanescente, a professorinha, que se revela uma safada de primeira linha.

Quem assiste a tudo isso é um bando de cachorros, que aumenta a cada dia que passa. Pelo cheiro de rango ou de morte, não dá para saber. Mas é igualzinho àquelas churrascadas de igreja.

Onde? – Na loja e na locadora.

Pra assistir comendo…- Pipoca e guaraná, no máximo.

Elenco: Marcello Mastroianni, Ugo Tonazzi, Michel Piccoli, Philippe Noiret, Andréa Ferréol, Solange Blondeau, Florence Giorgetti, Michèle Alexandre, Monique Chaumette, Henri Piccoli

Momento Polêmico: O maravilhoso óbito de Piccoli, deixando seu rombo na camada de ozônio.

“Depois dizem que manga com leite é lenda”