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Além do horizonte

Maio 26, 2008

“Além do horizonte
(Av. Direitos Humanos, 2059, Mandaqui, São Paulo)
Existe um lugar
(Paraíso da Cachaça)
Bonito e tranqüilo
(Garaginha transada)
Pra gente se amar”.
(Cana e quitutes finíssimos)

Mesmo que Rei Roberto Carlos não tenha se referido ao distinto local, cada verso do riff de “Além do Horizonte” se constitui à imagem e semelhança de um dos bares mais transados e escondidos do formigueiro brasileiro mais conhecido como São Paulo.

O Paraíso da Cachaça é assim: mesinha pra fora, ambiente agradabilíssimo, atendimento nota 11 e preços que cabem no bolso do mais humilde assalariado. A barateza do mamá é tão grande, mas tão grande, que as cachacinhas, pobrezinhas, são obrigadas a permanecer atrás das grades, aprisionadas pelo bem dos sedentos freqüentadores. Mas isso jamais seria um problema para quem adora uma noite agradável na companhia dos amigos.

Abanque-se nas banquetas personalizadas, chame o gigante Carlão, bróder proprietário da casa, e peça-lhe uma cachaça, uma porção de pimenta biquinho, um roll-mops, uma porção de amendoim, uma mussarela temperada e, pelamordedeus, você não vai gastar com isso mais de R$ 10. A nível de São Paulo, sabemos que essa grana não dá pra beber duas cervejas em certos locais que preferimos não citar localizados na Vila “Chilique” Madalena.

O mais lindo de tudo é que quando você pedir a cana pro Carlão, a resposta invariavelmente será: “De que madeira você gosta?”

Escolha a sua – carvalho, umburana, jequitibá, bálsamo – e aproveite para bebericar à vontade. Carlão oferece o traguinho em uma leve pincelada no copo para você cheirar e degustar. Ele sabe, o sacana, que inebriar os sentidos traz mais sede ao fígado.

Assim, na breve estada no Paraíso da Cachaça entornamos Caribé, Claudionor, 38 e mais uma que no momento não conseguimos recordar por razões óbvias. Apreciamos os mamás ao ritmo da pimenta biquinho, da mussarela temperada, da salsicha em conserva e do amendoim japonês. No BG, rock de alto nível para embalar a conversa amistosa.

A despedida foi triste. O Psiu de Kassab fez com que partíssemos para campos mais verdes. Carlão, simpático, adeusou-se com um “apareça, tem muitas outras ainda pra você experimentar”.

Vai recusar?

Carinhosamente cana

Maio 20, 2008

Garçom, me vê um Odéte sem gelo.

Este singelo apelido ao vísque Old Eight (o qual a pronúncia no País de Gales realmente corresponde a Odéte) faz-nos lembrar da novelística madame aí picturada ao lado. E são tantos os apelidos carinhosos aos mamás que bebericamos ao largo da vida que, ah, vale uma homenagem né genti?

Acompanhem. Há recintos em que, por exemplo, o pedido de um Cynar sempre vem acompanhado de um gesto simpático do garçom. Naquele estáile estou trocadilhando a sua pessoa, eles produzem um “hã, hã” Cynar, Sinár positivo.

E quando o friozinho bate? À medida que os pêlos se horripilam na nuca, a vontade de deliciar-se com um Andréa sem gelo cresce proporcionalmente. Afinal, ele desce macio e reanima, faz tremilicar o dedinho do pé e acrescenta muito quando batizado com um Martini, produzindo a gostosa da Maria Mole.

O Andréa, de fato, possui diversas funções, mas é incomparável à raça necessária para digerir um Saint John com limão espremido. Além de curar gripe, promover a expectoração de subprodutos da virose e transformar o peão em gênio da raça, esse tal conhaque de alcatrão pode receber o delicioso pingo do mais puro mel de abelhas, transformando-se em um mamá multifacetado. Amargo, azedo e doce, praticamente o cacete a quatro.

No mais a mais, é impossível esquecer da Uminha, aquela única e solitária cervejota que você iria tomar após o serviço e que, miraculosamente transforma-se em um engradado às quatro da manhã. Desgraçado da cabeça, você ri e pede mais Uminha. Afinal, o que é mais Uminha?

E segue o baile.

Amigo Paratudo

Maio 14, 2008

Mineiros são sempre surpreendentes a nível de cana. É mamázinho aqui, mamázinho acolá, dois dedinho de prosa e pimenta biquinho. Coisa linda que poderia ser traduzida como construção social da cirrose. Quem manja do riscado sabe que o must dos getogethers é a paz interior de uma cana bem tomada, azar do resto e segue o baile.

Pois a surpreendência mineira, mais especificamente da simpática Uberlândia, traz-nos um belíssimo mamá. E pra rimar, já mandamos a composição: coquetel de fermentado de maçã, raízes amargas e jatobá.

Seja bem-vindo ao mundo do Paratudo:

O naipe da bagaça produz cosquinhas até no mais explosivo fã dos amarguinhos estáile underberg, fernet e companhia. Aos 13,99% de graduação alcoólica, o Paratudo contém aquilo que todo experimentador de néctares protuberantes adora – cara feia.

Docinho no começo, em função da maçã, ele se desenrola num amargor interminável, que se apresenta até os 49 no segundo tempo. Vem que vem, e a alegria de finalmente engoli-lo é de sair lambendo cachorro sarnento.

Falando em doenças de pele, a polpa do jatobá, a qual faz parte do composto, mata frieira. Portanto, o Paratudo estaria sendo um santo remédio a R$ 5 a garrafa.

A única recomendação do rótulo é o preparo de um Rabo de Galo transadíssimo:

1 dose de Paratudo
1 dose de conhaque
1 fatia de limão
Ao natural ou com gelo

Ao que o Engasgo recomenda o Absolut Paratudo:

1 dose de Paratudo
1 dose de vodka qualquer
Meio limão espremido
Gelo à vontade

Tin-tin, Uberlândia!