Há uma canção do grupo inglês Black Sabbath em que o frenético Ozzy Osbourne alardeia sem dó seu amor pela Sweet Leaf. E o bagulho tem início com uma tossida de cachorro véio que simboliza ao extremo a váibe dessa reportagem especial do Engasgo.
Ao som do Sabbázão, degustamos aquilo que pode ser chamado de pecado pelos puristas tradicionalistas histéricos, mas tá nas prateleira das tabacarias e é barato então azar. Fomo ver qualéqueé dos paieirinhos encaixotados e analisamos o poder de explosão neuronal e de destruição pulmonar dos bichinhos.
Saca o naipe da rapaziada:
Da esquerda pra direita: Souza Paiol no ataque, Piracanjuba caindo pelo meio, VelhoJou de ponta de lança, Paieirinho de Minas na cabeça de área e Crioulos, o bécão tranca-rua.
O hábito do paieirinho é maravilha total, mas só pra quem sabe curtir o troço. Peão que se aventura a queimar o material como se fosse Derby azul, Hollywood verde ou Marlboro vermelho cai na cilada da enxaqueca interminável.
O lance é se apresentar pro jogo sem pressa, curtir o fumacê generalizado e brincar de pitar, coisa que a juventude desconhece de tanta ansiosidade ejaculatória. A moçada tende a mamar na biqueira como se fosse pirulito Zorro.
Pois bem. Após a nocta introductória, vamos ao épravaler.
Souza Paiol
Na simpática caixola pósa um cowboy assanhado. O site, como você pode ver aqui, tá com pobrema. Mas na primeira pitada o Souza Paiol carrega consigo a suavidade polêmica, que engana trouxa. Bateu no sinão da garganta, queima feito cachaça cabeçuda. O material vem lá da metrópole mineira Pitangui e valeu R$ 3,60 – cada centavo depositado na conta do prazer efêmero do paieirinho rápido. Fininho e provocante.
Piracanjuba
Pense num paieiro goiano envolvido em imbróglio judicial porque havia supostamente plagiado o grande Tex em seu frontispício, sem a devida autorização dos editores daquele comic book do velho oeste. E teve que mudar a fachada. Portanto, só de acender o robusto paierão Piracanjuba, bróder já tem história pra contar. O bichão ainda vem vazando fumo da paia, conferindo um visual rastafári. No acendimento da peça, já se sente a diferença: tabaco mais forte que incrivelmente vem suave, pra degustar em prosa longa. Saiu a R$ 4,50.
VelhoJou
O visu old west já tá cansando, mas esse aí tem o lance do fim de tarde, que orna bem com o sabor do VelhoJou. Tem um quê de docinho, feito brisa com cheiro de mato. Não dá pra saber de onde vem o material, mas sugere-se que o DDD 31 do SAC VelhoJou confira a proveniência a BH e/ou arredores. O bichinho vem na pegada rápida, ao estáile Souza Paiol, mas tem um quê saborificante a mais. E vai que vai com um doce de leite branquinho, sob a cifra mais barata de todas – R$ 3,40.
Paieirinho de Minas
Simplezão e de ataque intermediário às papilas gustativas, a R$ 3,60 uma caixinha que vale a pena pra dar o pontapé inicial na arte de pitar. O material fumeguento queima leve, sem grandes profusões explosivas, porque carrega entranhado um naco de algodão na boca da piteira. Coisa linda é avaliar como a brancura da fiapeira sai black feito carvão de churrasco. Como não há referências na WWW, apelamos novamente ao DDD do SAC, de número 37. E o prêmio vai, mais uma vez, para a metrópole mineira Pitangui.
Crioulos
Como diria o bróder do Jornalista de Merda, aqui a ôia é pesada. O trambolho lembra a entrada degradante do lateral do Bangu Márcio Nunes no Galinho de Quintino nos idos de 85. O naipe de béque de congresso de comunicação se reflete na porrada mental do paieraço Crioulo. De largo diâmetro e larga envergadura, a generosidade provém da simpática Palmeira das Missões, pertinho de São Pedro das Missões, São José das Missões, Boa Vista das Missões e Dois Irmãos das Missões, em terras gaúchas. E sua missão, agora, é tentar fumar o parrudo como quem tá brincando de playmobil num domingo chuvoso. Haja causo pra arrematar o Crioulo, o bécão da rodada, cujo caixote sai na vaibe custo x horas de degustação. R$ 4,80.
Pois então acabou, pitamos geral e o resultado é que cada um escolhe o que lhe convém. A arte de fazer fumacinha, por mais que faça mal e o cacete a quatro, tem seu charminho e não adianta rapaziada meter lei pra proibir, que nos recôncavos mais íntimos da humanidade alguém vai enrolar, botar na boca e acender com cara tesão.
Na foto meramente ilustrativa abaixo, a pujança do Crioulo sobre os demais concorrentes da noite.

E agora dá licença que vai rolar sal de fruta com neosaldina.