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Chiliques da moda

Outubro 25, 2009

O tempo passa, o tempo voa e o chilique gastronômico vai e vem na wave da moda fáshion. O que um dia é chique no outro deixa de ser, estáile sandália gladiadora de unha vermelha. Pois a pegada é a seguinte. Relembremos aquilo que papamos nos idos atrás e perguntemo-nos: maquemerda, por que mesmo?

Primeiro round, fim dos anos 80. Peão se aprochegava em festão de casamento pujante e mirava um único pote róseo. Brotando de suas bordas finíssimas de cristal agarravam-se como num pelamordedeus não me deixem cair os camarões pistola, cozidos ao bafo.

coquetel

Tudo parecia muito chique até que aquela velha porca da mesa ao lado dava um caldo no camarão. Estupefaciava-o de molho rosê e, na hora da mordida, esticava o beiço. Mas não o suficiente. O rosêzão se espraiava pelo broche de pedras coloridas, causando extrema comoção. E o chiquetê virava melequê.

Em defesa do coquetel de camarão, apenas um detalhe. Camarão com maionese, no caso, funcionava como um Engov avantajado. Azeitava geral pra chegada do uiscão. Na saída oral só não azedava porque era de comum acordo que tudo legal botar camarão com maionese e rosbife com alcaparra no mesmo prato. A culpa, obviamente, era da alcaparra.

Segundo round, começo dos anos 90. A era do funghi. Rapaziada que só comia champignon no estrogonofe se embasbacou no dia em que apareceu um troço diferenciado, de sabor abarrotado. Aí veio que veio, funghfunguii pra todo lado. Apareceu na pizza, no risoto, no molho do miojo.

A farra do cogumelo explodiu como o thrash metal. Bombou pesado mas não durou muito. Resiste apenas entre os fãs estuporados. E talvez seja porque o fungão quando desce não desiste de voltar ao mundo real. Retorna como gases extremos, numa coleção de arrotos persistentes. Passa as videocassetadas ele dá um oi. Começa o Fantástico ele ainda geme.

Terceiro round, meados dos anos 90. O tomate seco encontra sua parceira, a rúcula, e eles tentam dar uma de Paulo Goulart e Nicete Bruno. A relação é duradoura, vá lá, mas eles já encheram o saco. Só continuam aí porque têm um segredo: topizzalerância.

Rúcula com tomate seco na pizza virou um modismo exacerbado. E deusmeajude, pizza de mato né maluco? E aí, já pra piorar o entrevero, eles adentraram os bufês.

Todo mundo passou a colocar no prato sem saber se era entrada, salada ou prato principal.  Mas comeu com regozijo de quem é globetrotter, trendsetter, über model.Vamo dizer que a combinação funciona, pá, mas foi demais, demais foi o tempo da rúcula e do tomate seco.

Quarto round, fins dos anos 90. Nasce o petit gateau. Eu não sei você, mas aquele bobo bolo de chocolate da infância, que vovó fazia, traz mais aos encantos nostálgicos do que esse vulcão de chocolate ladeado pela pelota de sorvete. gatinho

O lance é que o petit gateau é a sobremesa do casal. “Vê um com duas colheres, por favor”, diz o namo, espetaculoso, com sorriso abobalhado. Aí o garção, já sacando que vai rolar sexo, entrega os talheres com cara de “vai garoto”.

O bróder fica brincando com a lava marrom, lambuzeia tudo, espatula o sorvete e a gata, inconformada com tamanha delícia, associa o bolinho à projeção peniana da fera. E assim se constrói uma grande mentira.

Último round, anos 2000. Os japas tomaram conta e veio ao mundo o temaki. O conão de alga com arroz e umas paradas sinistras, do naipe de ova de peixe voador. Era um treco esquecido nos cardápios das sushizerias por aí, mas alguém descobriu e conãopensou: vou fazer só esse troço.

Aí me surgem as temakerias, com seus ambientes clean e seus temakinhos. E ninguém sabe comer. Bróder que porta bigodeira tem plenas restrições, já que pêlo com ova de peixe bem embaixo do nariz traz odores de recordações deliciosas, mas enjoa.

As gatas, por sua vez, deixam de ser gatas papando temakis. Morde de um lado, pula peixe do outro, chócha de shoyu e raiz forte, pinga na blusa e começa a reclamar. “Minha blusa nova…”, lamenta. “Você que quis comer essa merda”, seria a resposta ideal se não houvesse o amor.