Arquivo da categoria ‘Pitiscos sobrenaturais’

Tandy de ova

Outubro 27, 2009

kaviar2A polemicidade tomou conta uma vez mais. Do minitubinho de pasta de dente foi expectorado um creme amarelo escuro de dar medo. Kaviar mermão!? Caviar, mais conhecido como tandy de ova.

Bagulho é fornecido pelas simpáticas Mills e Klavi, a ova matéria-prima é de bacalhau. E o povo loiro nórdico esfrega no pão já de manhã cedo, configurando bafo irremediável. Entre eles, gatas excepcionais.

Imagine aquela bela jovem corpulenta, sobressaindo das anáguas coxas incrivelmente brancas. Peitolas reluzentes, chapiscadas de sardas estáile Jackson Pollock.

Maçã do amor no lugar da bochecha, olhos cor de fiorde, cabelo quase branco de vovó. E cheiro de peixe podre. Triste ilusão, pois é.

Não sabemos quanto custa essa sardela do capeta porque roubamos do hotel. Sabemos apenas que é mais forte que nocaute maldoso.

E mesmo assim o povo se lambuza. É cultural, é, a moçada nasce atacando o tandy de ova já em plena infância. Saca o naipe do reclame aí.

O Brasil parou

Outubro 22, 2009

Há momentos em que a patronagem toma conta, mas o sangue vira-lata não deixa. E aí a mistura que se espera é explosiva. O ataque foi sucinto, sorrateiro feito jaguatirica enfezada. Da prateleira do simpaticíssimo Jhony’s Bar, na zona norte paulistana, beirando a Marginal do Tietê, espirrou um bróder chamado Anísio Santiago.

22102008(003)Cana de luxo

Da cozinha comandada por dona Sandra, uma cumbuquinha fumeguenta trouxe à cena o perfeito caldo maldoso para harmonização: Mocofava.

22102008(004)Casal 20

A famosa cana Anísio Santiago é algo à parte. Material estupendo. É naipão de uísque 18 anos. Niquique chega amortece a zona bucomaxilar, exala sabores, madeira perfeita, sucesso total.

E a mocofava arrebenta tudo no coentro bem postado, no mocotó chicletão, na costelinha mais derretida que mulher de malandro. É de embasbacar. Sandra não revela a receita, só enumera o conteúdo com sorriso matreiro. “Se eu te contar como faz, você não vem mais”, argumenta.

Na degustação, o Brasil parou. A marginal, que escorria talequal torneira descalibrada, atravancou-se violentamente.

E viu Deus que era bom.

Puberdade interrompida

Outubro 16, 2009

Vovó faz compota de pêssego, de abóbora, do cacete a quatro e a criançada adora. Mas a vovó grega, ah a vovó grega inventou moda. Atacou berinjelinhas e/ou beringelinhas minúsculas em sua puberdade e jogou na calda de açúcar. Polêmico? Pois é.

Atraque-se você também nas singelíssimas melitzanakis. Minizinhas tchuca-tchucas beringelinhas e/ou berinjelinhas pra lambuzar os beiços e dar um chupão no pescoço da gata já na sequencia. Adocicando aquele momento arrepiante, em que sobressaem os cabelos da nuca.

Sente o drama:

esfaqueadaAi que linda

A bering(j)elotinha pula do pote proveniente da estupenda ilha de Chios pra deixar embasbacado o centro nevrálgico do sabor em seu cérebro. A criança que um dia teve casca roxa mostra a nova roupagem verde, com transparência sensual. É de ficar namorando, em vez de comer.

Contou-nos um grego que a compota é servida como boas-vindas pra visita. Pois no nosso ponto de vista o certo é não servir pra ninguém e comer tudo sozinho. Realmente, causa ciumeira.

nikospetakis‘Vozê comer meu melitzanaki?’, atacou Nikos Petrakis

A compota foi faturada no Acrópoles, restaurante-fofura do post anterior. A calda é doce na medida, o gosto não é forçado. Tem um cravinho bem bobo. Eis o rótulo, pra não restar dúvida. Valeu R$ 15.

rotulobomLambuzê

Pra ornar com alguma coisa, já não se sabe. Compota é coisa de comer sozinha. Na harmonização ocasional, promovemos o rebatimento com um uisquinho Jim Beam. Foi que foi.