Refeição completa é aquela que o peão faz na váibe vida mansa e chega em casa pronto pra botar o pijama. Porque é preciso jiboiar o material deglutido com torpor e sorriso no rosto. Assim que, após soneca de sair do corpo, o Engasgo sentiu-se na obrigação de escrever sobre sua visita à Atenas paulistana. O restaurante-fofura Acrópoles.
Portinhola simplezona no meio do fuzuê do Bom Retiro, bairro das compritchas de roupa barata. Seje bem-vindo:
O reduto platônico
Pra quem ainda não conhece o comedouro, a recomendação é fugir da hora do rush. Entre as 12h e 15h de fim de semana, o cantinho aconchegante azul e branco transforma-se no caos absoluto. É carnaval ateniense. Não tem mesa suficiente e o atendimento cai para o minimalismo. E como peão tem de se servir na cozinha – nem peça cardápio que não tem -, a pegada é de bandejão da firma.
Mas quando o horário não é o que o estômago dita, vale muitíssimo a queda. Tudo calmo. Cozinha à disposição.
Fumegância suculenta
Tem de tudo na parada. Esbalde-se na moussaka, na lula recheada, no peixe, no pato ou no cabrito. Mas antes é indispensabilíssimo azeitar as paredes estomacais com a meia salada. Alfacinha, tomate bem maduro, azeitona preta e verde, cebolinha em conserva, pepinão e queijo feta.
Tudo no azeitelimão, haja coração
Após a deglutição parcial da salada, caímos na tentação e atacamos o salmãozão com molho de limão e ervas ladeado por um ingênuo risoto de frutos do mar. Material de altíssimo nível que veio ornando legal com o azeitume. O limão ataca na acidez, o risoto segura na gordura, o salmão vem no adocicado, o limão não deixa e aí nesse quebrapau gastronômico surge o tal do equilíbrio maravilhoso de sabores.
À frente, o risoto e o salmão; ao fundo, a invejosa salada
Em meio a urros de prazer durante a degustação, ficou bastante claro que um prato e meia salada seguram bem a onda pra duas pessoas. Porque se você tá indo ali é pra curtir com calma, e não pra se arrebentar e ficar lembrando do marisco o resto do dia. Sintonize no ambiente, mire no grego dono do restaurante, e puxe um papinho. O nome da fera é Thrassyopoulos Petrakis, mas manda um “ô Seu Trasso” que ele atende.
Trasso no comando: “Tou falando grego, por acaso?”
A fera empunha a bandeira da Grécia em São Paulo já faz 48 anos e no caso ele tem história pra contar. Mas atenção pra ressalva. Só dá pra chamar o bróder fora do horário do rush, quando ele explora com mais afinco suas raízes filosóficas.
Papou legal e proseou? Agora é a hora do mamázinho digestivo. Ataque o Ouzo, drinquezinho de anis que no gelo branqueia como o Arak. Tudo igual, mas é grego então é nóis:
Ouze você também
Aí né, com o salmão nadando no aquário de Ouzo que virou seu estômago, imploda as vísceras cimentando tudo com uma sobremesa transada. Depois da difícil escolha, já que a prateleira está estufada de açúcares maravilhosos, elegemos o tal do melomakárono. Nome complicado prum trequinho pequeno e fabuloso, bolinho de mel e amêndoas maldoso à beça.
Quartzolit de primeira
Faturamos o Acrópoles, certamente uma belíssima experiência gastronômica com direito a mamá, sobremesa e cafezinho. A única cilada do local é o preço. Não se avexe e faça questão de perguntar por valores. Antes de ir, anote na planilha do Excel que você vai gastar uns 40 mango por cabeça. Mas é comida boa, com aconchegância suficiente pra voltar pra casa jiboiando.
Acrópoles
Rua da Graça, 364, Bom Retiro – estacionamento na rua com Zona Azul
Atendimento: Bacana, mas só fora da hora do rush
Ambiente: Tá cheio de poster da Grécia e garrafas de Ouzo
Custo-benefício: Tendo dinheiro, dá nota 8
Para ir com: A gata a tira-colo num sábado bobo à tarde




