A ráipe e o chorinho

São coisas que só o chilique paulistano faz por você: a existência de algo chamado “bar raipado”, esse conceito que eletrocuta qualquer avaliação da real classe do recinto.

No bar raipado, dói na alma pagar R$ 7 por uma dose de Seleta. Dói em dobro pagar R$ 9 por uma dose de Busca Vida. Agora o que faz o sangue ferver é você pedir um chorinho da cana – mais que merecido, vide a facada financeira – e o garçom olhar para sua cara e negar o teco do mamá, alegando impossibilidade. E ponto. “Não posso.”

Um cálculo rápido destrincha essa bizarrice do atendimento paulistano. A garrafa da Seleta, no Mercado Municipal da Lapa, custa R$ 15. A do Busca Vida, R$ 20.

Me explica então, seu proprietário, qual é a dessa ordem de não dar um pinguinho a mais pro cliente. Não se pode mais cumprir a liturgia básica e oferecer uma gotinha do mamá pro santo?

Não pode, porque ráipe e chorinho não combinam. Não dá, porque ráipe e gole do santo não ornam. E assim caminha a ráipe, que se retroalimenta do bobo desumanizado, da egolatria mascarada de insight, e decreta o fim da camaradagem.

Diga não ao bar raipado.

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Uma resposta para “A ráipe e o chorinho”

  1. A ráipe e o chorinho « Engasgo – Entretenimento gastronômico | ZiiPe Disse:

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