Gostosa

Junho 5, 2008 by Engasgo

Na praia, deitada sobre uma canga branquinha, estava ela. Pezinhos pequenos, batatas da perna suculentas, coxas imperdíveis.

Meu olhar acabou perdido no dela. “Pode passar o limão nas minhas costas?”, pediu, com um sorriso sacanegeiro.

Passei-o vagarosamente e, em seguida, passei a degustá-la.

Uma das mais deliciosas rãs da praça encontra-se no Aperitivos Valadares. Em plena Zona Oeste de São Paulo (Rua Faustolo, 467, Lapa) um quê de erotismo praieiro para quem aprecia o mundo dos mais belíssimos pitiscos do planeta.

A R$ 8,50, carne que derrete ao paladar sob o bronze da mais perfeita milanesa.

Além do horizonte

Maio 26, 2008 by Engasgo

“Além do horizonte
(Av. Direitos Humanos, 2059, Mandaqui, São Paulo)
Existe um lugar
(Paraíso da Cachaça)
Bonito e tranqüilo
(Garaginha transada)
Pra gente se amar”.
(Cana e quitutes finíssimos)

Mesmo que Rei Roberto Carlos não tenha se referido ao distinto local, cada verso do riff de “Além do Horizonte” se constitui à imagem e semelhança de um dos bares mais transados e escondidos do formigueiro brasileiro mais conhecido como São Paulo.

O Paraíso da Cachaça é assim: mesinha pra fora, ambiente agradabilíssimo, atendimento nota 11 e preços que cabem no bolso do mais humilde assalariado. A barateza do mamá é tão grande, mas tão grande, que as cachacinhas, pobrezinhas, são obrigadas a permanecer atrás das grades, aprisionadas pelo bem dos sedentos freqüentadores. Mas isso jamais seria um problema para quem adora uma noite agradável na companhia dos amigos.

Abanque-se nas banquetas personalizadas, chame o gigante Carlão, bróder proprietário da casa, e peça-lhe uma cachaça, uma porção de pimenta biquinho, um roll-mops, uma porção de amendoim, uma mussarela temperada e, pelamordedeus, você não vai gastar com isso mais de R$ 10. A nível de São Paulo, sabemos que essa grana não dá pra beber duas cervejas em certos locais que preferimos não citar localizados na Vila “Chilique” Madalena.

O mais lindo de tudo é que quando você pedir a cana pro Carlão, a resposta invariavelmente será: “De que madeira você gosta?”

Escolha a sua - carvalho, umburana, jequitibá, bálsamo - e aproveite para bebericar à vontade. Carlão oferece o traguinho em uma leve pincelada no copo para você cheirar e degustar. Ele sabe, o sacana, que inebriar os sentidos traz mais sede ao fígado.

Assim, na breve estada no Paraíso da Cachaça entornamos Caribé, Claudionor, 38 e mais uma que no momento não conseguimos recordar por razões óbvias. Apreciamos os mamás ao ritmo da pimenta biquinho, da mussarela temperada, da salsicha em conserva e do amendoim japonês. No BG, rock de alto nível para embalar a conversa amistosa.

A despedida foi triste. O Psiu de Kassab fez com que partíssemos para campos mais verdes. Carlão, simpático, adeusou-se com um “apareça, tem muitas outras ainda pra você experimentar”.

Vai recusar?

Carinhosamente cana

Maio 20, 2008 by Engasgo

Garçom, me vê um Odéte sem gelo.

Este singelo apelido ao vísque Old Eight (o qual a pronúncia no País de Gales realmente corresponde a Odéte) faz-nos lembrar da novelística madame aí picturada ao lado. E são tantos os apelidos carinhosos aos mamás que bebericamos ao largo da vida que, ah, vale uma homenagem né genti?

Acompanhem. Há recintos em que, por exemplo, o pedido de um Cynar sempre vem acompanhado de um gesto simpático do garçom. Naquele estáile estou trocadilhando a sua pessoa, eles produzem um “hã, hã” Cynar, Sinár positivo.

E quando o friozinho bate? À medida que os pêlos se horripilam na nuca, a vontade de deliciar-se com um Andréa sem gelo cresce proporcionalmente. Afinal, ele desce macio e reanima, faz tremilicar o dedinho do pé e acrescenta muito quando batizado com um Martini, produzindo a gostosa da Maria Mole.

O Andréa, de fato, possui diversas funções, mas é incomparável à raça necessária para digerir um Saint John com limão espremido. Além de curar gripe, promover a expectoração de subprodutos da virose e transformar o peão em gênio da raça, esse tal conhaque de alcatrão pode receber o delicioso pingo do mais puro mel de abelhas, transformando-se em um mamá multifacetado. Amargo, azedo e doce, praticamente o cacete a quatro.

No mais a mais, é impossível esquecer da Uminha, aquela única e solitária cervejota que você iria tomar após o serviço e que, miraculosamente transforma-se em um engradado às quatro da manhã. Desgraçado da cabeça, você ri e pede mais Uminha. Afinal, o que é mais Uminha?

E segue o baile.